domingo, 30 de dezembro de 2012

O Impossível

Manipulação competente


Ainda me lembro da ocasião em que soube da notícia do tsunami que devastou a vários países da Ásia no final de 2004. Eu estava em um encontro de final de ano com antigos amigos da faculdade e um deles comentou: “vocês viram o que está acontecendo na Ásia? Um onda gigante está destruindo tudo por lá...”. Eu ainda não sabia e achei a notícia estranha. Quando cheguei em casa, era só isso que se divulgava nos noticiários de TV, com as imagens e números cada vez maiores de vítimas. O maior desastre natural a que já tinha visto na vida. Um horror sem tamanho que colocou a palavra “tsunami” na boca do povo e que fez qualquer morador de uma cidade litorânea (Natal, no meu caso) ficar assombrado.

Anos depois, o cinema começou a levar às telas este tema, o tipo de drama universal que toca qualquer ser humano. O primeiro a que pude assistir foi “Além da Vida” (Hereafter, 2010), do gênio Clint Eastwood, filme que até recebeu indicação ao Oscar de efeitos especiais somente pela cena em que a onda gigante atinge a praia. Agora, temos em exibição nos cinemas “O Impossível”, produção espanhola dirigida pelo também espanhol Juan Antonio Bayona (de “O Orfanato”) que explora ao máximo o potencial lacrimogêneo de uma história passada nessas circunstâncias limite. Afinal, são duas vertentes reunidas em um mesmo filme que costumam atrair bilheteria: catástrofe e sofrimento familiar. Ou seja, um pacote completo para fazer você sair da sala de exibição dizendo que caiu um cisco no olho. E Bayona se mostra, realmente, um manipulador competente para atingir tal objetivo.


Primeiramente, a adaptação de uma história real passada no mencionado evento alterou a nacionalidade dos envolvidos. A família espanhola verídica foi substituída por uma família anglo-saxã, um recurso para fazer com que o público norte-americano pudesse ir aos cinemas assistir ao filme (era provável que eles não o fizessem se a família no filme fosse realmente ibérica). E aí vemos a narrativa nos mostrar pai (Ewan McGregor), mãe (Naomi Watts) e três filhos britânicos que vivem no Japão e estão de férias na Tailândia. O roteiro, escrito por Ségio G. Sánchez, inicia naquele estilo “filme de aeroporto”, mostrando a viagem e as preocupações corriqueiras de uma família de classe média alta, o que pode até possuir uma conotação irônica, deixando transparecer entrelinhas o quanto esta mesma classe média parece se preocupar diuturnamente com questões de pequena importância que parecem assumir proporções gigantescas. Quando estão em um resort, vem a tão assombrosa onda que devasta toda a região e provoca a morte de milhares de pessoas. Pela força das circunstâncias, a família a é separada em dois grupos, sendo um com Maria (a mãe) e Lucas (Tom Holland), o filho mais velho, e outro com Henry (o pai) e os dois filhos menores (Samuel Joslin e Oaklee Pendergast). A tentativa de reencontro dos dois núcleos será o mote da ação.

Não vou aqui afirmar que não se trata de uma história emocionante. Claro que é e seria impossível (ops, perdão pelo trocadilho) que a emoção não transbordasse na tela. Há algumas sequências de fazer um rinoceronte se sensibilizar e confesso que uma em especifico, [SPOILER] quando os irmãos se reencontram [FIM DE SPOILER], bate fundo. Além disso, o realismo (algo muito buscado pelo público contemporâneo) imprimido por Bayona impressiona em várias passagens, deixando todo o terror dos acontecimentos transbordar na tela em cores vivas. Entretanto não se pode negar que o cineasta espanhol também se valeu de elementos manipuladores para induzir o público a uma catarse ainda maior. A trilha sonora (de Fernando Velázquez), invasiva e repleta de excessos, é um claro exemplo de tal aspecto. Além disso, vários desencontros vistos na trama, principalmente na sua segunda metade, parecem mais invenções de roteirista, propícias par aumentar o suspense, do que realidade factual.


Por outro lado, o drama da catástrofe não deixa de ser terreno fértil para boas atuações. Se Ewan McGregor me pareceu apenas correto, não convencendo muito em algumas cenas mais dramáticas, Naomis Watts entrega uma belíssima atuação que deverá lhe garantir uma indicação ao próximo prêmio da Academia de Hollywood (já lhe rendeu uma indicação para o Sindicato de Atores e também ao Globo de Ouro). Ela realmente está ótima, provavelmente em sua melhor atuação até hoje, exibindo uma performance cheia de alma a cada cena. Contudo, ainda melhor do que Naomi me pareceu o elenco infantil. Os garotos são simplesmente sensacionais e acredito que Tom Holland, intérprete do mais velho, merecia também uma indicação ao Oscar, tamanha a sua desenvoltura e naturalidade na tela.

A despeito da citada manipulação, pode-se afirmar que “O Impossível” é um bom filme, mesmo que o seu final traga uma visão ocidentalizada de que este episódio na vida da família tenha se resumido a um espécie de “férias frustradas”, esquecendo o sofrimento daqueles que lá permaneceram (ou seja,da população local). De qualquer forma, se você for daqueles(las) que choram fácil as lágrimas estarão garantidas e mesmo os mais durões não escaparão de algumas inevitáveis emoções (na sala onde vi, muitas pessoas batiam palmas no fim da película). Basta lembrar dos fatos reais para se sensibilizar e imagino que daqui a algum tempo também veremos nos cinemas filmes sobre o tsunami do Japão.


Cotação:



Nota: 8,0


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 Obs. Este foi o último post de 2012. Um feliz 2013 para todos! Grande abraço!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Quero Ver Novamente #21


"O Cinema Com Pimenta" já teve a oportunidade de publicar uma resenha sobre "A Felicidade Não Se Compra" (It's a Wonderful Life), provavelmente o maior clássico natalino de todos os tempos. Um filme maravilhoso que jamais canso de rever, tamanha a força deste conto sobre um homem (James Stewart) que, na noite de Natal, deseja morrer porque detesta sua vida e acredita que ele não faria qualquer falta no mundo. É então que um anjo é enviado para convencê-lo a mudar de ideia e resolve mostrar como seria a vida das pessoas que o cercam se ele não existisse. Brilhante e emocionante, a sequência abaixo é o desfecho dessa obra-prima de Frank Capra. Se não viu o filme, não assista ao video, mas proveite para vê-lo inteiro neste Natal. Se já viu o longa, relembre-o com esta passagem maravilhosa. Um feliz Natal para todos, repleto de harmonia, paz e alegria! Que Deus abençoe a todos!


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

A Terra Média sucumbe ao mercado


Este filme já havia se tornado uma lenda urbana, tamanhas foram as idas e vindas ao longo de seu processo de produção, o qual passou por conflitos com os interesses dos herdeiros de J.R.R. Tolkien, a falência da MGM, detentora dos direitos de adaptação, além da troca no comando criativo do filme, uma vez que inicialmente a direção estava nas mãos de Guillermo del Toro e acabou passando para as de Peter Jackson, já sabidamente veterano nas transposições do universo de Tolkien para a tela grande (Del Toro acabou assinando como co-roteirista). A novela , enfim, foi concluída e tivemos sua estreia em circuito comercial na última sexta-feira 14, numa clara intenção de concorrer às estatuetas da Academia de Hollywood. Se a expectativa por prêmios é normal, já que a trilogia “O Senhor dos Anéis” abocanhou nada menos que 17 carecas dourados, desta vez, contudo, ela não deverá ser correspondida. “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” (The Hobbit: An Unexpected Journey) não está à altura de seus predecessores, infelizmente, e acredito que tal circunstância se deve principalmente a razões mercadológicas.

Afinal, foi devida às tais razões de mercado que ocorreu a divisão da trama em três episódios, algo incongruente com o material original, o primogênito dos livros de Tolkien, cuja primeira edição data de 1937 e que possui menos páginas do que qualquer um dos volumes da trilogia dos anéis. O material, entretanto, como é de conhecimento até das plantas, é uma mina de dinheiro e não quiseram perder a oportunidade de iniciar mais uma trilogia para arrancar grana dos fãs. O resultado dessa ideia é que aquele que poderia ser mais um belo filme baseado na obra de um grande escritor, tornou-se um longa arrastado, sem ritmo e que, se ainda consegue em alguns pontos envolver e tocar o espectador, é por mérito quase exclusivo do material original. Sim, quase exclusivo porque, como era de se esperar, a película tem aquele famoso impacto visual característico da saga dos anéis, o que se deve, indiscutivelmente, à notória competência de Peter Jackson nesse quesito. Vale frisar que aqui ele trouxe mais uma inovação, os tais “48 quadros por segundo”, a nova tecnologia que confere à película o dobro de resolução - já que tradicionalmente se usam 24 quadros por segundo (ou seja, fotos por segundo) para que o olho humano tenha a ilusão de movimento na tela. Essa inovação está sendo prometida como “a nova revolução no cinema” (mais outra), mas, devo registrar aqui, não gostei. Tive a oportunidade de ver o resultado em uma sala de exibição local e a sensação que tive foi a de estar vendo um making off, pois o excesso de resolução em um longa repleto de maquiagens e efeitos especiais não contribui para que vejamos os personagens como reais. Fica a impressão de estarmos enxergando exatamente efeitos especiais e trabalhos de maquiadores (algo “fake”, vamos dizer assim) e também não senti que afetou a sensação de imersão no 3D (continuo com a opinião de que a “A Invenção de Hugo Cabret” foi o longa-metragem que melhor usou, até hoje, o potencial das três dimensões).


Mas é claro que a trama tem seu encanto, principalmente para aqueles já conhecedores do universo de Tolkien. Não deixei de me envolver com a estória do hobbit Bilbo (Martin Freeman, quando jovem, e Ian Holm, quando idoso), tio de Frodo (Elijah Wood). É para este que Bilbo, já idoso, irá relatar a aventura que viveu 60 anos antes, quando o mago Gandalf (Ian Mckellen) chegou na porta da sua casa porque havia lhe escolhido para ajudar o anões a retomar o seu antigo lar, a Montanha Solitária, tomado dos mesmos pelo dragão Smaug. Em sua “jornada inesperada”, Bilbo, acostumado à pacata rotina dos hobbits, passará por diversos perigos ao lado do novos amigos e irá se deparar com um famoso anel e um outro personagem adorado pelos fãs que mais tarde seria conhecido como Gollum. Entretanto, mesmo que você não seja um “iniciado”, compreenderá perfeitamente toda a narrativa. Como já dito acima, este foi o primeiro romance de Tolkien a tratar da Terra Média e o fatos nele narrados são, logicamente, anteriores àqueles de “O Senhor dos Anéis”. Ademais, tudo é muito bem explicadinho, fazendo com que nenhum expectador se perca, sendo ele familiarizado ou não com a obra. Não é o esse teor, digamos, “didático” que incomoda, mas a extensão de certas sequências (a reunião de anões na casa de Bilbo poderia ser cortada pela metade) e mesmo a presença de algumas delas (totalmente dispensável toda a sequência com os trolls).


Há alguns momentos chave, todavia, que despertam emoção e nisso Jackson continua o mesmo, sabendo dosar sentimento e aventura como se estivéssemos realmente ouvindo uma história contada por nossos avós. Vale ressaltar, ademais, que o elenco (boa parte dele já familiarizado com seus papéis) está afinado, além de ser sempre um prazer rever Chritopher Lee (com mais de 90 anos!) como o mago Saruman e Cate Blanchett na pele de Galadriel. Howard Shore mais uma vez demonstra muita competência no elaboração da trilha sonora. A fotografia (de Andrew Lesnie), então, é um caso à parte. Nunca a Terra Média (Nova Zelândia, na realidade) foi tão linda e se tem algo em que os 48 frames ajudam é justamente no deslumbre das paisagens. Dá vontade de ir morar na terra dos hobbits.

O que se pode concluir é que a ambição de construir uma nova franquia foi o fator realmente determinante para que este novo longa não tenha apresentado o resultado brilhante dos anteriores. Tivessem feito apenas dois filmes, ou simplesmente reduzido a duração de cada um (quem disse que todos os filmes baseados na obra de Tolkien devem necessariamente ter cerca de 180 minutos de projeção?), e teríamos mais um provável vencedor de muitas estatuetas da Academia – algo que não deve acontecer agora em 2013, a não ser em óbvias categorias técnicas. De qualquer forma, este é o típico filme à prova de críticas, como bem demonstra a bilheteria que vem obtendo mundo afora (nos EUA, teve a maior estreia da história para o mês de dezembro). Eu mesmo, que considero a trilogia original como a melhor obra cinematográfica do presente século XXI , jamais deixaria de conferir “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” porque um metido a crítico de um blog qualquer disse que este é um filme “lento” e “sem ritmo”. “Que cara mais implicante!”.


Cotação:



Nota: 8,0

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Globo de Ouro 2013 - Indicados


Palhinha rápida aqui sobre a premiação da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. Sua lista de indicados ao Globo de Ouro tem, como destaques, "Lincoln", que recebeu sete indicações (entre elas, melhor filme-drama, diretor e ator). "Django Livre" e "Argo" empataram com cinco indicações cada um e "A Hora Mais Escura", "Os Miseráveis" e "O Lado Bom da Vida" ficaram com quatro indicações.

A entrega dos prêmios acontece em 13 de janeiro, com apresentação de Tina Fey e Amy Poehler. Isso se o mundo não acabar dia 21 próximo, né? Veja a lista:

Melhor filme (drama)

Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
Lincoln
A Hora Mais Escura

Melhor filme (musical / comédia)

O Exótico Hotel Marigold
Os Miseráveis
Amor Impossível
O Lado Bom da Vida

Melhor ator (drama)

Daniel Day-Lewis - Lincoln
Richard Gere - A Negociação
John Hawkes - As Sessões
Joaquin Phoenix - O Mestre
Denzel Washington - O Voo

Melhor atriz (drama)

Jessica Chastain -A Hora Mais Escura
Marion Cotillard - Ferrugem e Osso
Helen Mirren - Hitchcock
Naomi Watts - O Impossível
Rachel Weisz - The Deep Blue Sea

Melhor ator (musical / comédia)

Jack Black - Bernie
Bradley Cooper - O Lado Bom da Vida
Hugh Jackman - Os Miseráveis
Ewan McGregor - Amor Impossível
Bill Murray - Um Final de Semana em Hyde Park

Melhor atriz (musical / comédia)

Emily Blunt - Amor Impossível
Judy Dench - O Exótico Hotel Marigold
Jennifer Lawrence - O Lado Bom da Vida
Maggie Smith - Quartet
Meryl Streep - Um Divã para Dois

Melhor ator coadjuvante

Alan Arkin - Argo
Leonardo DiCaprio - Django Livre
Philip Seymour Hoffman - O Mestre
Tommy Lee Jones - Lincoln
Christoph Waltz - Django Livre

Melhor atriz coadjuvante

Amy Adams - O Mestre
Sally Field - Lincoln
Anne Hathaway - Os Miseráveis
Helen Hunt - As Sessões
Nicole Kidman - The Paperboy

Melhor diretor

Ben Affleck - Argo
Kathryn Bigelow - A Hora Mais Escura
Ang Lee - As Aventuras de Pi
Steven Spielberg - Lincoln
Quentin Tarantino - Django Livre

Melhor roteiro

Mark Boal - A Hora Mais Escura
Tony Kushne - Lincoln
David O. Russell - O Lado Bom da Vida
Chris Terrio - Argo
Quentin Tarantino - Django Livre

Melhor filme em lingua estrangeira

Amour (Áustria)
A Royal Affair (Dinamarca)
Intocáveis (França)
Kon-Tiki (Noruega, Reino Unido, Dinamarca)
Ferrugem e Osso (França)

Melhor longa animado

Valente
A Origem dos Guardiões
Frankenweenie
Detona Ralph
Hotel Transilvânia

Melhor trilha sonora original

Mychael Danna -As Aventuras de Pi
Alexandre Desplat - Argo
Dario Marianelli - Anna Karenina
Tom Tykwer - A Viagem
John Willians - Lincoln

Melhor canção original

"For You" - Ato de Coragem
"Not Running Anymore" - Stand Up Guys
"Safe & Soud" - Jogos Vorazes
"Skyfall" - 007 - Operação Skyfall
"Suddenly" - Os Miseráveis

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Moonrise Kingdom

Eternas crianças


Esta foi minha primeira experiência com a obra do cineasta Wes Anderson. Sim, pode parecer estranho, mas nunca havia assistido nem mesmo aos seus filmes mais incensados, como “Os Excêntricos Tenenbaums” (The Royal Tenenbaums, 2001). Mas para tudo há uma primeira vez e, diante dos vários elogios ao seu trabalho mais recente, “Moonrise Kingdom”, resolvi que estava mais do que na hora de conhecer a obra deste diretor que divide opiniões, mas que, por outro lado, possui uma das filmografias mais autorais no atual momento do cinema norte-americano, algo que pude de fato constatar já na primeira imagem da película em questão.

Logo de imediato, percebi que Anderson possui um cuidado extremo com o aspecto imagético dos seus filmes. Cada cena aparenta ter sido minuciosamente pensada em sua direção de arte, utilizando-se de cenários com cores marcantes e uma fotografia que realça os tons dos ambientes, com uma estética similar aos dos filmes do gênio Stanley Kubrick, nitidamente uma de suas influências. Outro aspecto que me chamou a atenção foi o ritmo de quadrinhesco da ação vista na tela. A referida elaboração das cenas nos faz imaginá-las como destacadas umas das outras, trazendo um efeito semelhante ao que temos ao ler uma HQ. Mesmo os personagens parecem ser concebidos desta forma, alguns com características que beiram o caricatural, trazendo um leve tom cômico que permeia toda a projeção, mesmo que em nenhum momento sejamos levados ao riso aberto. Toda a trama de Moonrise Kingdom, escrita pelo próprio diretor em parceria com Roman Coppola, pareceu-me ser facilmente adaptável para uma graphic novell, caso algum autor de quadrinhos resolvesse levar a obra a um caminho inverso do que normalmente vem ocorrendo na cultura pop.

Entretanto, se mencionei acima o humor como um dos elementos que Anderson utiliza para contar sua história, não há dúvida que o forte em “Moonrise Kingdom” é seu aspecto dramático. Afinal, trata-se de um conto sobre dois pré-adolescentes, Suzy Bishop (Kara Hayward) e Sam Shakusky (Jared Gilman), um casalzinho que se apaixona e resolve fugir para viver um grande amor. O ano é 1965 e ambos vivem na pequena ilha de New Penzance, na Nova Inglaterra, um daqueles lugares pouco habitados com rios e florestas que povoam o imaginário norte-americano como referência de tranquilidade. Suzy é filha de Walt (Bill Murray) e Lara Bishop (Frances McDormand), um casal cujo distanciamento os leva a se tratar por “doutor e doutora”. A mãe, inclusive, mantém um relacionamento extraconjugal com o capitão Sharp (Bruce Willis, bem melhor do que de costume), o único policial da localidade. O garoto Sam, por sua vez, é um órfão acolhido por uma família que não lhe dá importância e que procura fazer amizades no grupo de escoteiros do qual participa, no acampamento Invanhoé, liderado pelo Escoteiro-Chefe Ward (Edward Norton). Após uma relação construída eminentemente através de trocas de correspondência, os dois partem para uma aventura onde se bastarão um ao outro, vivendo em uma espécie de paraíso onde não mais terão de interagir com um mundo que lhes é frio e indiferente.


Uma das propostas de Anderson com a narrativa é justamente confundir o mundo dos adultos e das crianças. Em vários momentos percebemos que os personagens adultos assumem comportamentos e tomam atitudes infantis e o inverso também é verdadeiro. Ou seja, no fundo seríamos eternas crianças buscando abrigo diante da aridez da sociedade em que vivemos e a formação de vínculos afetivos se coloca como a melhor maneira de atingir tal intento. É a busca desses vínculos que faz com que tanto o capitão Sharp quanto o Escoteiro-Chefe Ward desenvolvam um sentimento paternal em relação a Sam ao descobrirem que o menino é órfão. Da mesma forma, Sam acredita que todo o resto da humanidade é supérfluo, pois que, na sua visão, Suzy é a única pessoa que o ama. Ademais, a relação entre Sam e Suzy é a síntese de toda relação homem-mulher, onde o menino se vale de suas habilidades para dar as condições de sobrevivência à menina que ama. O paraíso proposto por Anderson parece se apresentar, assim, como o retorno aos papeis tradicionais do homem e da mulher, onde ambos viveriam de forma plena sua masculinidade e feminilidade, em um estado de pureza distante dos condicionamentos sociais. A maneira com que o diretor nos apresenta tais perspectivas mostra-se extremamente sensível e feliz, chegando a nos despertar o desejo de ter de volta a pureza e inocência de Sam e Suzy, de reviver as descobertas que eles vivem na tela.


Devo dizer, ainda, que Anderson realmente possui um senso de ritmo excelente, pois jamais a sua trama ameaça se tornar enfadonha e consegue contá-la sem buracos em apenas 94 minutos de película. Além disso, como em outras oportunidades, conseguiu reunir um elenco de peso, onde nomes como Edward Norton e Bill Murray nos entregam ótimas atuações. A direção de atores é tão eficiente que até Bruce Willis consegue sair das suas tradicionais caretas e nos faz esquecer um pouco que aquela figura na tela é ele, Bruce Willis. No mesmo sentido, também o casal de garotos demonstra talento, principalmente Kara Hayward, intérprete de Suzy. Por outro lado, de igual importância se mostra a trilha sonora, um elemento tão relevante no filme quando sua concepção imagética, marcando tanto seus créditos iniciais quanto finais.

Mas o melhor de tudo, todavia, mesmo diante de uma certa previsibilidade no desfecho, é a emoção que Anderson conseguiu gerar com este filme ao mesmo tempo adulto e infantil, o que me causou uma certa surpresa. Sempre li comentários acusando o diretor de criar obras emocionalmente frias, o que me trazia a impressão de que seu trabalho seria bastante semelhante ao dos Irmãos Cohen. Em verdade, acredito que seu cinema se coloca mais próximo do trabalho de outro grande realizador contemporâneo, Tim Burton, ao conceber um universo próprio e autoral, mas sem perder de vista de que o cinema deve tocar os corações daqueles que o admiram. Afinal, ao comprarmos o ingresso para uma sessão ou um DVD ou blu-ray par vermos em casa, o que pretendemos, em última análise, é sermos envolvidos por uma mágica que nos faça viajar e emocionar. E, da mesma forma que Sam consegue levar Suzy para o seu reino particular, Anderson carrega o espectador para dentro desta adorável fábula. Um feito admirável, sem qualquer dúvida. E concluo afirmando que minha primeira experiência com o cinema de Wes Anderson foi, inegavelmente, muito prazerosa.


Cotação:



Nota: 9,5

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Associação dos Críticos de Nova York elege seus favoritos


Pois é, minha gente. Começou a temporada de premiações que culminarão na festa do Oscar a ser realizada no dia 24 de fevereiro. A primeira delas, que possui relevância e certa influência na escolha dos indicados da Academia, foi a da Associação dos Críticos de Nova York. E o que ela revelou é que os norte-americanos parecem estar, como diria Fausto Silva, "mais do que nunca" olhando para o próprio umbigo. Os dois grandes premiados foram "A Hora Mais Escura" (Zero Dark Thirty) - levou três prêmios, incluindo filme e direção -  longa-metragem de Kathryn Bigelow baseado na caçada a Osama Bin Laden, e "Lincoln" (também levou três), o já muito falado filme de Steven Spielberg sobre o famoso presidente ianque. Ou seja, o recado está dado: a tendência é premiar filmes que falem sobre eles mesmos e ponto final. Não é à toa que "Argo", de Ben Affleck, também vem sendo muito cotado para estar ao menos entre os indicados da Academia. É isso. E assista quem quiser...

Segue abaixo a lista completa de premiados.

Melhor Filme: A Hora Mais Escura
Melhor Diretor: Kathryn Bigelow
Melhor Ator: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Melhor Atriz: Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)
Melhor Ator Coadjuvante: Matthew McConaughey, por Magic Mike e Bernie
Melhor Atriz Coadjuvante: Sally Field, por Lincoln
Melhor Animação: Frankenweenie
Melhor Filme Estrangeiro: Amor
Melhor Roteiro: Lincoln
Melhor Primeiro Filme: How To Survive a Plague, de David France
Melhor Documentário: The Central Park Five
Melhor Fotografia: A Hora Mais Escura

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quero Ver Novamente #20


"007 - O Espião Que Me Amava" (The Spy Who Loved Me, 1977), dirigido por Lewis Gilbert, é considerado por muitos (eu me incluo no coro) como o melhor filme do agente 007 protagonizado por Roger Moore. Inegavelmente, é um dos melhores longas não só da "era Moore", mas de toda a franquia James Bond, o décimo episódio com o personagem desde o primogênito "Contra o Satânico Dr. No" (Dr. No, 1962). As sequências arrebatadoras de créditos iniciais sempre foram uma marca da série e a do filme em questão é uma das melhores, principalmente devido à canção interpretada por Carly Simon, "Nobody Does It Better". Curta abaixo. E que venham mais 50 anos de 007, o espião à prova do tempo.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Argo

De volta aos anos 70 (ou como Hollywood gosta de se ver no espelho)


Hollywood é reconhecida no mundo inteiro como uma fábrica de sonhos e ilusões, tanto no bom quanto no mal sentido da expressão. Pois bem. Com “Argo”, o ator que virou diretor Ben Affleck nos mostra que a indústria do cinema norte-americano é tão eficiente com sua ficção que já chegou até a enganar a vigilância de um país inimigo dos Estados Unidos para salvar alguns compatriotas que lá se encontravam. Um feito ocorrido no fim dos anos 70/início dos 80 e que foi revelado pelo governo norte-americano apenas em 1997, durante o mandato de Bill Clinton, e que realmente possui todos os ingredientes para se transformar naquilo em que Hollywood é a maior especialista do mundo em fazer: filmes.

Affleck retomou aqui um gênero cinematográfico que teve seu auge nos anos 70: o thriller político, dos quais são exemplos icônicos “Todos os Homens do Presidente” (All The Presidents Men, 1976), de Alan J. Pakula, e “Três Dias do Condor” (Three Days Of Condor, 1975), de Sidney Pollack, gênero este que perdeu espaço nas últimas décadas, principalmente nos anos 80 e 90, quando a população mundial, contaminada pelo estilo yuppie de ver o mundo, deixou-se submergir por uma apatia política que parece ter sido sacudida apenas depois dos eventos do 11 de setembro de 2001 e, mais recentemente, pela grave crise econômica global iniciada a partir de 2008. Nos anos 70, principalmente depois que o studio system sofreu fortes abalos com o advento dos jovens da “Nova Hollywood” e seu cinema autoral, a contestação politica e social era praticamente a regra, não a exceção. Neste longa, Affleck já optou por realizar, no início da projeção, uma autocrítica explícita raramente vista em filmes ianques ao passar em resumo a história recente do Irã, um dos países que mais sentiram o resultado desastroso do intervencionismo imperialista norte-americano. Ao apoiar o governo ditatorial do Xá Reza Pahlevi, como uma reação à nacionalização do petróleo promovida pouco antes pelo primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, os Estados Unidos, em boa medida, contribuíram diretamente para a posterior ascensão do Aiatolá Khomeini ao poder em 1979, durante a chamada “Revolução Islâmica”, o qual acabou por instaurar no país um regime teocrático avesso à cultura e modelos sociopolíticos ocidentais.


Foi durante os eventos de 1979 que a embaixada estadunidense acabou sendo tomada por revoltosos iranianos, fazendo como reféns os diplomatas e funcionários que lá se encontravam. Seis destes, contudo, conseguiram escapar e passaram a viver escondidos na embaixada canadense. Era preciso arrumar um forma de resgatá-los, mas a situação era complicadíssima. Várias ideias (ruins) surgiram, mas Tony Mendez (Ben Affleck no filme), um agente da CIA especialista em situações como esta, surgiu com uma ideia mirabolante: fingir a realização de um filme de ficção científica chamado “Argo” (daí o título do longa). A “produção” procuraria locações no referido país do Oriente Médio e o integrantes da “equipe” seriam justamente os seis enclausurados, que posteriormente deixariam o Irã como “cineastas”. Um plano tão maluco que não levantaria suspeitas. “Melhor do que fingirem ser professores ou fugir de bicicleta ao longo de muitos quilômetros”, disse Mendez. Para tanto, ele contou com a ajuda de verdadeiros profissionais do cinema, entre eles o maquiador vencedor do Oscar John Chambers (no filme vivido por John Goodman) e o produtor Lester Siegel (o sempre ótimo Alan Arkin), os quais se empenharam ao máximo em fazer com que a produção tomasse ares de verdade, realizando coletivas de imprensa, festa de lançamento do projeto, divulgando cartazes e outros procedimentos afins.

Vale ressaltar que Affleck resolveu fazer um filme setentista não apenas no gênero e no tema, como também em vários outros aspectos, como a fotografia granulada (de Rodrigo Prieto) e a trilha incidental, que nos recorda bandas poderosas como o Led Zeppelin. Interessante como ele vem mostrando bem mais competência como diretor do que como ator, ofício onde sempre apresentou desempenhos limitados. “Atração Perigosa” (The Town, 2010), seu longa anterior, já demonstrava uma direção segura e com ótimo ritmo, virtude que se mostraram ainda mais amadurecidas em “Argo”. A tensão é constante ao longo dos 120 minutos de projeção, fazendo com que o espectador se pegunte o tempo inteiro como terminará aquele plano. Astuto, Affleck soube inserir humor nos momentos certos para quebrar o clima tenso, jogando até piadas ácidas dirigidas ao sistema hollywoodiano do qual faz parte. Uma pena que dito sistema acabe por dominar a última terça parte do longa-metragem. Como é de conhecimento até do mundo mineral, Hollywood adora romancear histórias reais, talvez por acreditar que o público não se interessaria por essas mesmas histórias caso elas não fossem maquiadas ou hiperbolizadas. E aqui o jovem diretor também caiu na armadilha, transformando o desfecho do filme em uma correria típica de filmes de ação. Ademais, o final se apresenta permeado daquele patriotismo característico das terras de Tio Sam, algo que se mostra até contraditório diante do seu referido prólogo repleto de autocríticas.



Mesmo diante desses deslizes, “Argo” é um mais um passo adiante na carreira de Ben Affleck como cineasta. O longa já vem sendo cotado como um dos prováveis candidatos ao prêmio Academia de Hollywood e, acredito, ela não deixará passar sem estatuetas essa história surpreendente de como a indústria do cinema contribuiu decisiva e participativamente na resolução de um delicado problema diplomático que poderia ter consequências desastrosas nas relações dos EUA com o Oriente Médio. Como pudemos ver no ano passado, com a premiação de “O Artista” em várias categorias, Hollywood adora se ver na tela, mesmo quando são estrangeiros que a retratam. Que dirá quando é um dos seus próprios rebentos a traçar esta imagem positiva, narrando um dos seus feitos mais mirabolantes e até então desconhecido do grande público. O cinema norte-americano, como qualquer “Narciso”, adora se olhar no espelho.


Cotação:


 

Nota: 9,0

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Filmes Para Ver Antes de Morrer

A Vida dos Outros
(Das Leben Der Anderen, 2006)


A pior das vergonhas


A primeira vez que vi “A Vida dos Outros” (Das Leben der Anderen) foi com uma certa revolta. O ano era 2007 e ele tinha “roubado” o Oscar de melhor filme estrangeiro das mãos do meu favorito, “O Labirinto do Fauno” (El Laberinto del Fauno, 2006), a fábula dirigida por Guillermo del Toro que na minha opinião era “imbatível”. Assim, foi com curiosidade, mas também com vontade de encontrar defeitos na produção alemã, que resolvi conferi-la em uma sessão do Cineclube Natal, a convite de um amigo cinéfilo (abraço, Gian!). A verdade é que o meu esforço em buscar aspectos negativos no filme foi em vão e terminei a sessão completamente absorvido por aquela trama político-social inserida em um contexto belamente sensível que nos suga para dentro da vida daqueles personagens. Misturar observação politica com dramas individuais sem que nenhuma das vertentes saia prejudicada é algo bastante difícil de ser atingido, mas o diretor Florian Henckel Von Donnersmarck conseguiu a proeza. E o mais surpreendente é que este foi seu primeiro longa-metragem para o cinema.

Revendo o filme há poucos dias, a experiência mostrou-se igualmente sólida e envolvente. Em alguns momentos, senti-me tenso como se ainda não tivesse assistido ao seus 137 minutos de projeção (que não se sentem, diga-se de passagem). Impressionante um cineasta estreante atingir tal feito, mas isso não se deu por acaso. Donnersmarck fez uma vasta pesquisa nos arquivos da antiga República Democrática Alemã para compor seu roteiro, além de entrevistar várias pessoas que moravam no então lado oriental da Alemanha (o próprio diretor é filho de uma alemã oriental), vítimas das ações arbitrárias da Stasi, espécie de KGB local, polícia politica incumbida de monitorar e prevenir atividades consideradas subversivas ao Estado comunista. Apesar de contar com poucos recursos para a produção, conseguiu o máximo empenho do seu elenco, que aceitou recebeu suas remunerações com atraso e mesmo assim entregou belíssimas performances, principalmente Ulrich Mühe, intérprete do espião Wiesler, personagem central desta narrativa que mostra as terríveis consequências de uma sociedade dominada pela vigilância.


Na trama, Wiesler tem a missão de monitorar o dia a dia do dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch), um autor que conta com a simpatia do governo devido ao conteúdo socialista de suas peças. Entretanto, o ministro da cultura, Bruno Hempf (Thomas Thieme), está interessado na companheira de Dreyman, a bela Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), uma das mais conhecidas atrizes do país, razão pela qual é desencadeada uma operação para investigar supostas atividades anticomunistas de Dreyman. A observação constante de Wiesler faz com que este passe a, na verdade, admirar Dreyman e sua existência passional, cheia de entusiasmo pela literatura, música e vivendo uma relação tórrida com Christa-Maria, contrapondo-se à vida fria e solitária que resulta de sua atividade de bisbilhoteiro oficial. O diretor, inclusive, vale-se de uma comparação bem ajustada entre as práticas sexuais dos dois protagonistas para salientar as diferenças. Enquanto Dreyman vive quentes noites de amor com sua amada Christa, a vida sexual de Wiesler se limita a horas marcadas de sexo mecânico e impessoal com prostitutas, caracterizando o preenchimento da realidade do primeiro em contraposição ao vazio da existência do segundo. O próprio Wiesler percebe que ele nada mais é do que um voyeur chancelado pelo Estado, armado por um aparato tecnológico que o torna a apto a viver “a vida dos outros”, como diz o título perfeito da película, e isto passa a lhe trazer a pior das vergonhas: a vergonha de si mesmo, ainda mais potencializada quando percebe que suas ações estão servindo não a uma causa em que se possa acreditar, mas tão somente aos caprichos de um integrante das engrenagens estatais. O espião é a tradução individual de uma manifestação arcaica do poder estatal, eminentemente preocupado em impor limites aos seus cidadãos como uma forma de sustentação. Já Dreyman traduz o oposto, qual seja, a vida em liberdade, liberdade do pensar e do agir conforma sua autodeterminação.


Tais comentários políticos e existenciais, entretanto, poderiam se transformar em uma chatice se colocadas em mãos pouco habilidosas. Felizmente, não é o que sucede. Donnersmarck constrói um suspense que só aumenta ao longo da narrativa, desembocando em um clímax inesperado e contundente que deixa o espectador atordoado e que ainda é sucedido por uma conclusão de cunho emocional poderoso a que dificilmente você ficará indiferente. Aliado a este domínio do ritmo narrativo, ainda se destaca um direção de arte que se preocupou em reconstruir com precisão o ambiente da Alemanha Oriental dos anos 80, com suas cores estranhamente pálidas, desbotadas, suas paredes cinzentas e móveis angulosos que tornavam a vida tão fria e rigorosa quanto o aparato estatal então vigente. Juntando-se a este quadro temos a ótima performance do elenco. Se Martina Gedeck revela limitações na composição de sua Christa -Maria,. Sebastian Koch etá ótimo na pele do intelectual Dreyman, conferindo-lhe o tom sóbrio e ao mesmo leve bastante adequado a um homem das artes. Contudo, é inegável que a presença mais marcante em cena é de Ulrich Mühe, ele próprio nascido na RDA que faz aqui uma composição precisa, aliando contensão e emoção em igual medida e nos momentos certos. Uma pena que este ator tenha falecido meses depois das filmagens, vítima de um câncer no estômago, e não pudemos ter outras oportunidades de apreciar o seu trabalho.

“A Vida dos Outros” alcançou grande popularidade internacional, além de muito respeito diante da crítica. Contudo, alguns atacaram a obra por trazer uma visão “sensível e humanizada” de um agente da Stasi, algo semelhante às críticas que “A Queda – As Últimas Horas de Hitler” (Der Untergang, 2004) sofreu por mostrar uma suposta perspectiva “humanizada” do líder nazista. Porém, da mesma maneira que com o longa sobre os últimos momentos de Adolf Hitler, a crítica não procede, parecendo-me partir de pessoas que acreditam (ou precisam acreditar) em interpretações maniqueístas da História. O filme de Donnersmarck vai justamente no sentido oposto, fugindo de simplificações e nos apresentando personagens críveis, com suas contradições, virtudes, erros e redenções. E devo dizer: não foi nenhuma injustiça ele ter retirado o Oscar de melhor filme estrangeiro das mãos de “O Labirinto do Fauno”. Na realidade, foi um privilégio vermos dois filmes desta envergadura disputando o prêmio no mesmo ano, algo que nem acontece com frequência, infelizmente.


Cotação: 

Nota: 10,0

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Filmes Para Ver Antes de Morrer

Marty
(Marty, 1955)


Apologia do homem simples


Alguns dias atrás, estava eu naquele clima de preguiça, com o controle remoto da TV na mão, passeando pelos canais até que parei em um programa matinal de notícias. Poucos minutos depois, o telejornal exibe uma matéria sobre os “novos comportamentos” contemporâneos e mostra que os homens românticos hoje têm dificuldade de arrumar namoradas, enquanto os “galanteadores” acabam sendo preferidos pela “maior parte” das mulheres, porque, segundo uma das entrevistadas no interior de um bar, elas hoje preferem homens mais “práticos”. Na realidade, dizer que esse comportamento é “moderno” me parece ser ideia de quem não tem nada a dizer ou coisa de jornalista querendo extrair matérias das obviedades. Qualquer rapaz que já tenha passado pela adolescência na vida sabe que a maior parte das mulheres sempre preferiu os galanteadores, os descolados e populares, enquanto os românticos sonhadores e introvertidos acabam sozinhos nas festas, bailes, bares, baladas ou seja lá o que for. Em 1955, décadas atrás portanto, um filme denominado “Marty”, dirigido pelo pouco conhecido diretor Delbert Mann e protagonizado pelo eterno coadjuvante Ernest Borgnine, arrebatou 4 Oscars (filme, diretor, ator e roteiro) ao tratar de um desses “rejeitados”, um desses caras que não são especialmente agraciados com um tipo físico generoso ou não têm a autoconfiança necessária no jogo da conquista, mas que por dentro são bem mais interessantes do que os descolados das redondezas.

Uma das cenas da dita reportagem mostrava um homem, que já contava por volta dos seus 35 anos, sozinho no bar, ignorado pelas mulheres que por ali se achavam. Uma imagem que imediatamente me remeteu a Marty Piletti, o personagem do título, um homem de família italiana que mora apenas com a mãe (Esther Minciotti) em uma casa que já se tornou grande demais para os dois. Aos 34 anos, ele é o único entre os irmãos que ainda não se casou e é questionado diariamente por sua mãe quando irá arranjar um esposa. Ou melhor, não apenas por sua mãe, pois que todos lhe perguntam o mesmo, até as matronas que lhe compram carne no açougue onde trabalha. O único que não lhe faz tal questionamento é seu companheiro de noites solitárias de sábado, Angie (Joe Mantell), com quem divide a “falta do que fazer” ou vontade de não fazer nada. Na realidade, Marty está cansado de rejeições, está farto de não conseguir pares nos bailes ou de levar foras a cada oportunidade em que telefona para convidar alguma garota para ir ao cinema. Prefere não mais sofrer a tentar e passar por mais uma rejeição. Contudo, devido à insistência da mãe, ele acaba por ir a uma casa de dança da vizinhança, “um lugar cheio de gatinhas”, diz ela. E é lá que ele encontra Clara (personagem de Betsy Blair), uma garota que também possui um histórico amoroso bastante frustrado por não ser especialmente atraente no que se refere à beleza. E é partir de então que a vida ambos estará destinada a mudar.



Este é o único filme relevante de Delbert Mann, um diretor egresso da televisão e que adaptou para a tela grande esta apologia do homem simples oriunda de uma peça escrita para a TV por Paddy Chayefsky, em uma iniciativa dos produtores Harold Hecht e Burt Lancaster (Lancaster, inclusive, usou o seu prestígio apresentando o trailer da produção). Aliás, este é um dos raros casos em que um longa adaptado da televisão acabou levando um Oscar de melhor filme e, de quebra, direção. Mas é bom que se diga que o longa-metragem “Marty” está longe das perspectivas caricatas ou unidimensionais comuns na tela pequena. Sem melodrama acentuado, apenas percebemos que ele não tem sucesso com as mulheres e anda desiludido com a sua situação, sentindo-se socialmente deslocado. O roteiro (escrito e adaptado pelo próprio Chayefsky) não se esforça para que tenhamos “pena” do protagonista, aliás, não há nem tempo para tanto, dados os seus enxutos 91 minutos de duração, concentrando-se em mostrar ao espectador como o protagonista se livra dos seus medos e pressões para buscar a sua felicidade. Olhando para o contexto dos anos 50, quando se vivia a neurose da Guerra Fria, o drama propõe o relevante comentário de que a felicidade das pessoas comuns vai bem além de questões político-sociais, passando, antes disso, por sentimentos simples como o de sentir-se aceito na comunidade em que vive.



Interessante ressaltar que a própria carreira de Ernest Borgnine reflete muito do tema do longa. Talentoso, Borgnine pouco exerceu papéis centrais nas películas em que atuou, geralmente sendo relegado a personagens coadjuvantes. Tal circunstância nitidamente está relacionada com sua aparência física, pois que não era especialmente bonito e tinha um biótipo acima do peso considerado adequado pelos padrões de beleza vigentes. Ou seja, Borgnine foi uma espécie de “Marty”entre os atores, rotineiramente relegado a um segundo plano por motivos ligados a superficialidades. É importante frisar, ainda, que o Oscar de melhor ator lhe foi muito bem entregue, posto que seria fácil cair em exageros de caracterização e fazer de Marty um “coitadinho”. Ao contrário, Marty nunca perde a sua dignidade e Borgnine não apela para olhos chorosos ou outros recursos banais. Basta compará-lo à performance de Betsy Blair para vermos a diferença entre um grande ator e uma atriz apenas esforçada. Blair, embora não comprometa o conjunto, passa boa parte das suas cenas como o olhar marejado, quando não chorando mesmo, o que confere à sua Clara o ar de “coitadinha” que não está presente no protagonista.

Uma pérola que não perdeu sua atualidade, “Marty” é um filme tão especial que conquistou não só o prêmio da Academia de Holllywood, como também a Palma de Ouro no Festival de Cannes e, é bom esclarecer, uma produção levar esses dois prêmios é algo bem raro de se ver (por mais irônico que isso possa parecer). O fato de ter encantado tanto europeus quanto norte-americanos nas suas mais caras premiações é uma bela demonstração da força universal deste pequeno conto sobre um homem simples, seus sentimentos e sonhos, que nada mais são do que ter a vida justamente de uma pessoa comum, com um cônjuge, um lar e filhos para cuidar. Essas pequenas coisas que muitas vezes esquecemos de sua importância, mas que, na verdade, são as que nos tornam plenos.


Cotação:



Nota: 10,00

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Trilha Sonora #25



"Forrest Gump - O Contador de Histórias" (Forrest Gump, 1994) é um filme do tempo em que Tom Hanks era o melhor ator do mundo, encantando o público e recebendo prêmios a cada novo trabalho. Mas não só isso.  "Forrest Gump" é um ótimo filme, o ápice da carreira do diretor Robert Zemeckis (ao lado de "De Volta Para o Futuro"), inventivo, original e divertidíssimo. Ademais, faz um grande retrospecto da história da cultura e costumes norte-americanos nas últimas décadas, o que acaba por nos trazer uma trilha incidental extensa e de ótima qualidade, contando com composições excelentes como esta "Turn! Turn! Turn", canção da banda The Byrds que adapta um trecho do livro bíblico Eclesiastes. A música é um primor e as palavras são de uma sabedoria atemporal. Som na caixa!


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Gonzaga: De Pai Pra Filho

A dúvida “casmurra” de Gonzagão


Luiz Gonzaga e Luiz Gonzaga Jr. formam um incomum caso de talento que passou de pai para filho. O pai, o lendário Gonzagão, é um dos maiores gênios da nossa música popular, um dos responsáveis até pela construção de nossa identidade cultural, principalmente do Nordeste, que tem como “hino” extraoficial a canção “Asa Branca”, fruto de sua parceria com o advogado Humberto Teixeira. Já Gozaguinha é um dos expoentes do gênero que hoje se define como “MPB”, compositor socialmente engajado e dono de uma sensibilidade ímpar, capaz de emocionar mesmo o coração mais duro. O que nem todo mundo sabe é que pai e filho tiveram um relação complicadíssima, fruto da indiferença afetiva com que Luiz Gonzaga tratou seu filho durante a maior parte da vida. “Gonzaga: De Pai Pra Filho”, novo longa-metragem do diretor Breno Silveira, é, em boa medida, muito mais do que uma simples biografia do Rei do Baião. Trata-se de uma busca pelas motivações desse desentendimento, as razões que levaram os dois ao afastamento e posterior reconciliação.

Na verdade, este é um projeto antigo de Silveira, mais precisamente de 7 anos, iniciado logo após a estreia de “2 Filhos de Francisco”, a ótima cinebiografia dos cantores sertanejos Zezé Di Camargo e Luciano dirigida pelo mesmo em 2005. Baseado no livro Regina Echeverria e com adaptação da roteirista Patrícia Andrade, Silveira conseguiu algo improvável: coadunar com qualidade a história de vida do biografado sendo não somente didático, mas procurando analisar suas atitudes sem oferecer julgamentos e, ao mesmo tempo, conseguindo atingir uma veia emocional forte, que dificilmente deixará o espectador indiferente. Pode-se acusar o filme de romancear a vida de Gonzaga - o que, em parte, é verdade, principalmente no que diz respeito à sua primeira metade – bem como de amenizar algumas passagens pouco valorosas de sua vida (como seu apoio ao governo militar, ao menos no início) e de seu filho (o alcoolismo de Gonzaguinha é apenas sugerido). Contudo, é muito difícil condensar todo o histórico de vida de um ser humano em apenas duas horas e a abordagem escolhida pelo cineasta mostrou-se feliz em sua maior parte.


A história é narrada em estrutura de flashback, iniciando a partir do momento em que Gonzaguinha recebe um pedido de sua madrasta, Helena, para que vá até Exu, em Pernambuco, para encontrar seu pai, o qual está precisando de sua ajuda. Mesmo que relutante, Gonzaga Jr. empreende a viagem até a terra natal de seu genitor e, desde o primeiro encontro dos dois na tela, já percebemos o quão difícil era a relação entre ambos. É então que o filho resolve entrevistar o pai, usando para tanto um gravador (daqueles de fitas cassete bem oitentistas), buscando entendê-lo melhor a partir de suas memórias. E seguimos a vida de Gonzagão, desde a saída de Exu, fugindo de um coronel que não via com bons olhos o interesse de Luiz pela sua filha, passando a seguir por diversos episódios. Estão na tela sua vivência no exército; a chegada ao Rio de Janeiro; a ausência de sucesso ao iniciar sua vida de sanfoneiro tocando ritmos estrangeiros, como tango e fado, além de sua ascensão ao resolver investir na suas raízes e colocar no seu acordeon os ritmos do sertão nordestino.

É importante ressaltar que, mesmo relatando praticamente toda a trajetória do Rei do Baião, em nenhum momento Silveira perde o foco de tentar compreender a gênese dos seus atritos com o filho. Silveira, inclusive, optou por uma das versões da história do nascimento do garoto, aparentemente nunca inteiramente esclarecida. Se você fizer uma rápida pesquisa no nosso amigo Google, encontrará vária versões sobre a relação de Gonzaga com Odaleia Santos (no filme interpretada por Nanda Costa), alguns chegando a afirmar que ela já estaria grávida quando os dois se casaram e o músico teria assumido a paternidade do menino mesmo sabendo que não era o pai. A versão que vemos no filme é a da dúvida “casmurra” tornada célebre pelo nosso Machado de Assis. O Mestre Lua teria passado a vida com a dúvida sobre a paternidade daquele garoto que nem mesmo guarda semelhanças físicas com o genitor e que tinha como mãe uma mulher que trabalhava como dançarina de salão e tinha uma conduta “avançada” para a época. Desta forma, sugere-se que todo o abandono afetivo de Gonzagão por seu rebento tem suas origens nessa interrogação, algo que só iria crescer com tempo, principalmente a partir de seu segundo casamento com a secretária e contadora Helena Cavalcanti (papel de Roberta Gualda),a qual não conseguia engravidar e acusava Luiz de ser estéril, dando ainda mais força, portanto, à ideia de que Gonzaguinha não era seu filho. Sendo ou não a versão verídica dos acontecimentos, a opção narrativa se coloca como a maneira ideal de apresentar aquela história ao público.


Para o desenvolvimento de uma boa cinebiografia, boas atuações são importantes e é neste ponto que a produção se mostra oscilante. Nenhum dos três atores que interpretam Gonzaga nos oferecem grandes desempenhos, principalmente Chambinho do Acordeon, músico profissional que topou encarnar Gonzaga em sua fase adulta. Em várias de suas cenas, principalmente aquelas que mostram os shows de Luiz, ele se mostra artificial, quase caricato, embora tenha carisma. Entretanto, os outros dois intérpretes, Land Vieira e Adélio Lima, que fazem o Gonzaga adolescente e idoso, respectivamente, se não são brilhantes ao menos não comprometem o personagem, mostrando certa competência. O destaque interpretativo vai mesmo para Júlio Andrade interpretando Gonzaguinha em sua fase adulta. Ele simplesmente surge como uma espécie de reencarnação do cantor e compositor e não só no que se refere à semelhança física. Seus trejeitos, postura, o ar reflexivo e levemente arrogante de Gonzaguinha estão lá presentes e chegaram a impressionar até mesmo a família do músico (sua viúva chorou em uma sessão privada oferecida pela produção do longa). Curioso que Andrade conhecia bastante da vida e obra de Gonzaguinha antes mesmo de assumir o papel, pois seu pai é fã do músico e o ator cresceu ouvindo e vendo em casa a carreira da interpretado.

Pode-se concluir que “Gonzaga: De Pai Pra Filho” é um filme típico de Breno Silveira. Narra uma história de pai e filho muito cara à sua cinematografia (vide o citado “2 Filhos de Francisco” e o recente “À Beira do Caminho”), povoada por famosas canções de nossa música popular (no caso, ouvimos canções tanto do pai quanto do filho) e com uma catarse ao fim. Entretanto, vale dizer que seus filmes não soam repetitivos e, ao menos para este que vos escreve, este seu novo trabalho conseguiu atingir com força o coração. É verdade que talvez isto se deva às minhas origens nordestinas. Afinal, mesmo sendo um “rapaz do litoral” e da capital, acabo me identificando com grande facilidade tanto com os elementos culturais quanto sociais mostrados ao longo da projeção. Basta percorrer alguns quilômetros interior adentro aqui no Rio Grande do Norte para se deparar com as agruras da realidade tão bem espelhada por Gonzaga com sua música, bem como com suas alegrias e visão de mundo. Mas seria leviano taxar a película como uma obra “regional”. Certas histórias são universais e esta certamente é uma delas.


Cotação:
 


Nota: 8,5

domingo, 4 de novembro de 2012

Selo Versatile Blogger


A colega blogueira Márcia Moreira, do “Clássicos, Não Antigos”, destinou a este espaço o selo Versatile Blogger, o que deixou este que vos escreve bastante lisonjeado e agradecido. Bem, para usar o selo é necessário escrever 7 coisas sobre si mesmo. E vamos à tarefa então.




1 – Nasci e moro em Natal/RN, a Cidade do Sol, uma terra abençoada por Deus com uma beleza incomum, mas que vem sendo muito destratada pelos governantes. Tenho 34 anos e sou bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pós-graduado pelo Fundação Escola Superior do Ministério Público do RN. Hoje sou servidor concursado do Tribunal de Justiça do RN, onde trabalho há 6 anos. Sou um "cara família" e nunca fui de viver muito em baladas. Gosto de ir a bons shows e, claro, cinema ;


2 – Como noticiei aqui mesmo no blog, casei-me há pouco mais de 6 meses com Sandra Patrícia, uma grande mulher, linda e companheira. Estamos muito “felizes juntos” (para usar o título de um filme de Kar-Wai), curtindo o presente e pensando em viver dias ainda melhores no futuro!

3 – Eu credito a meu pai e a Steven Spielberg a minha paixão pelo cinema. Explico. Quando eu tinha lá meus belíssimos 5 anos de idade, o Sr. Gaspar Carmo, meu pai, levou-me para ver “E.T – O Extraterrestre” no cine Rio Grande (que hoje é uma igreja evangélica...). Chorei exatamente como a criança que eu era no fim do filme e fiquei alucinado com toda aquela fantasia com amigos de outros planetas e bicicletas voadoras. Spielberg provavelmente é o cineasta mais manipulador que já existiu;


4 – Sou beatlemaníaco e isso implica dizer que escuto Beatles e suas respectivas carreiras solo com muita frequência. Também implica dizer que tenho posters, camisas, bottons, canecas e afins com temas da banda dentro de casa. Obviamente, também tenho a coleção completa dos seus discos. Ou melhor, duas coleções completas e mais alguns vinis. Ver o show de Paul McCartney com minha esposa durante a nossa lua-de-mel é algo que ficará para sempre na memória. Entretanto, isso não significa que não goste de outras bandas e gêneros musicais. Escuto muito Pink Floyd, Led Zeppelin, Rolling Stones, Elvis, Queen e outras bandas de rock clássico. Também adoro R.E.M, Nirvana, Radioehad, além das bandas de rock nacional. Sou fã da Legião Urbana (Renato Russo pautou muito da minha adolescência) e e também curto muito as outras banda do rock Brasil como Paralamas e Titãs. Também sou fã de jazz (tenho vários discos de Miles Davis) e MPB. Aliás, nossa música é prolífica em gênios como Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano Veloso entre outros. Bem, na verdade, na minha opinião só existem dois tipos de música: música boa e música ruim;



5 – Tenho uma paixão clubística pelo Botafogo de Futebol e Regatas. Podem me chamar de “sofredor” ou adjetivos similares, mas não vai adiantar. Torço pelo time estrela solitária desde pequenininho e costumo sair por aí com sua camisa com muito orgulho;




6 – Acredito que sempre devemos olhar a realidade com um viés crítico e duvidar (de forma salutar, mas não paranoica) do que nos é apresentado como “verdade” no nosso cotidiano. Boa parte das informações que nos chegam são filtradas e manipuladas na busca de proteger diversos interesses, mormente os dos detentores do poder econômico. Platão, milhares de anos atrás, já nos alertava sobre a visão distorcida que temos do real e isso se torna cada vez mais premente diante de um mundo dominado por uma mídia que atende, antes de tudo, a interesses privados;

 (Essa não é a minha coleção, é só para ilustrar o tópico)

7 – Possuo uma enorme coleção de filmes, discos e livros em casa. Sou daqueles que vivem aproveitando as promoções das lojas online e catando pechinchas nas Americanas, mas não compro qualquer coisa. Minhas coleções são de ótima qualidade. Só gostaria de ter mais tempo para usufruir delas.

Antes de finalizar, gostaria também de presentear os blogs abaixo com o mesmo selo. São todos espaços de qualidade que costumo acompanhar com interesse e curiosidade:

Grande abraço a todos e continuem acompanhando este espaço trabalhado com muita dedicação e carinho!